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Eleições 2010: um desafio para o marketing político no Brasil

Posted in Outros with tags , , , on 05/07/2010 by izyx1988

Esse ano, o Brasil vivencia sua 6ª eleição presidencial após a reabertura do processo democrático na década de 80. A perspectiva é de uma disputa acirrada entre as coligações de apoio ao atual governo, representada pela candidatura de Dilma Rousseff (PT) e as de oposição, representadas, até o momento, por José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV) e Plínio Arruda (PSOL). Outros partidos e coligações ainda não apresentaram seus candidatos.

As inserções do Horário Gratuito de Propaganda já se fazem presentes em todos os canais de televisão. Entretanto, nesta fase de pré-campanha, os espaços são concedidos para comunicação institucional dos partidos. A campanha, de fato, só se inicia em agosto.

No entanto, o que seria um canal e uma forma de comunicação valiosa para a apresentação da plataforma política de cada candidato, se tornou, em geral, sinônimo de mesmices. Nestas eleições de 2010, pretende-se alterar o cenário com a inclusão, pelos políticos, de novas plataformas em suas campanhas, com o objetivo de diminuir o espaço entre emissor e receptor e proporcionar uma maior interação entre eles.

Mas é preciso perceber que a política nas redes sociais, introduzida como uma nova plataforma, vem para ser aliada aos meios tradicionais de comunicação e as ações de rua e não como uma alternativa a eles. A internet sozinha não é eficaz para desenvolver qualquer campanha eleitoral, mas também apresenta a vantagem de deixar todos os candidatos no mesmo nível, diferente, por exemplo, do horário eleitoral em que cada um possui um tempo diferente de exposição.

O político passa a ter a possibilidade de criar um diálogo mais direto com os eleitores. A comunicação deixa de ser vertical e passa a ser horizontal, candidato e eleitor encontram-se no mesmo patamar, possuem os mesmos meios e trocam idéias. Os dois lados saem ganhando com isso, o eleitor tem suas dúvidas sanadas, uma maior compreensão das propostas do candidato e este último pode com isso obter mais votos e ter sua mensagem disseminada.

Talvez o case mais completo, mais famoso, e de maior sucesso disso tudo seja a campanha de Barack Obama a presidência dos EUA em 2008. Com conteúdo do Flickr sendo atualizado por seus próprios eleitores, aplicativo para iPhone (cujo conteúdo era integrado com site, notícias e agenda do candidato), mais de 260 atualizações do Twitter ao longo da campanha, mais de 14 milhões de views num dos mais importantes vídeos criados para o slogan da campanha (“Yes. We can”), anúncios in game (jogo Burnout Paradise do Xbox Live, onde 65% dos gamers tinham mais de 18 anos, ou seja, potenciais eleitores), enfim, com toda uma rede estruturada para agir pontualmente explorando ao máximo o perfil de cada mídia, Obama deixou pra trás seu adversário na disputa presidencial, John McCain, e se elegeu de forma exemplar.

Recentemente no Brasil, testemunhamos a votação do projeto de lei Ficha Limpa no senado, após uma campanha virtual presente em várias redes sociais, contando com dois milhões de assinaturas. Atitudes desse tipo fazem com que o brasileiro recupere parte do seu encanto pela política, ainda que de forma bastante tímida, e apontam saídas criativas para campanhas políticas, já que com a Internet o público não é passivo. A mensagem transmitida não só é recebida, mas também editada, remixada e, obviamente, replicada.

Alguns partidos brasileiros têm formulado suas campanhas mantendo a de Obama como referência, pressupondo a participação dos internautas como agentes voluntários não só no mundo virtual, mas também como articuladores entre o mundo online e o mundo offline, o mundo “real”, fora das telas dos computadores, mas é importante ter sempre em mente que a realidade da Internet no Brasil é bem diferente dos Estados Unidos, já que 68% dos brasileiros nunca tiveram acesso a rede.

Já é possível observar alguns candidatos com perfil no twitter e em outras redes sociais, buscando a aproximação necessária com o eleitor. Alguns dados, que podem ser encontrados no Politweets, comprovam isso; 404 políticos usam hoje o twitter, 83 deles são do PT e 250 são deputados federais e o candidato a presidência na eleição de 2010, José Serra, é o político com maior número de seguidores, aproximadamente 270 mil.

Perfil de twitter do candidato José Serra

Vale também conferir como a campanha de Obama foi resolvida visualmente. Não só a estratégia política de inserir a campanha na Web, mas também suas referências em termos de layout, devem influenciar as próximas eleições em todo o mundo. O pôster idealizado pelo artista Shepard Fairey que traz o rosto de Obama em azul, vermelho e branco, e a palavra “hope” (“esperança”) e “progress” (“progresso”) já virou ícone e foi reproduzido e relido inúmeras vezes pelo ciberespaço.

No Brasil, por exemplo, a campanha de Marina Silva traz uma ilustração da candidata claramente baseada no tal pôster de Obama. No case democrata percebe-se a atenção que o staff de Barack disponibilizou com a imagem. Numa era de compartilhamento e reprodução fáceis e desejados, imagens fortes com potencial de se tornarem ícones garantem triunfos.

Imagem da candidata Marina, claramente inspirada na de Obama

O assunto ainda é novo e dá margem para uma série de discussões e análises. A integração de mídias, além de possibilitar campanhas mais criativas, parece mesmo ser o caminho a ser seguido. Numa eleição tão disputada quanto a desse ano promete ser, utilizar a comunicação de forma completa e inovadora pode fazer diferença no resultado final.

Fontes:

http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u19297.shtml
http://blog.biano.com.br/blog/
http://subindonotelhado.com.br/eleicoes-2010-e-midias-sociais.html

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